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A Expodireto 2019, antes mesmo de começar, esta semana, sofreu com um temporal que arrancou lonas, virou e moveu estruturas, fez o diabo…
O local, campo aberto, bastante desprotegido para a ação do vento, acabou dando um susto nos feirantes que começavam a montar seus estandes para a Feira que inicia nesta próxima semana.

O crescimento deste setor no país, tem gerado controvérsia, de um lado, dando provas de sua grande capacidade de produção e, portanto, recursos para o país e, por outro, se sabe que necessita de mais a e mais área para seu desenvolvimento, demandas o uso de produtos químicos e promove a exclusão do homem rural, para uma situação de dificuldades no campo.
Há quem diga que o “lavourão”, não é lá tão benéfico quanto apregoam..

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   Agora, após ter anunciado recentemente, a verba à porta de pelo menos R$ 5 milhões de reais, recursos que viriam do projeto PAC Cidades Históricas e que começariam a serem investidos ainda este ano, ouvimos ainda do governo municipal, de São Miguel das Missões que, uma equipe de técnicos, da prefeitura, se deslocaram para a capital do Estado onde, em acordo com o IPHAN, ajustariam interesse nesta etapa de investimentos inicial do citado projeto. Restaria definir no que e no que será investido os recursos acima citados.
   Na verdade, é confuso ainda para a sociedade local, as razões pelas quais esta interação entre setor do projetos da Prefeitura de São Miguel e IPHAN, em Porto Alegre. Ao que sabemos, se daria em função de férias, do pessoal do IPHAN, na capital do Estado o que levaria riscos de perda do investimento do valor em tempo hábil, mas que com a participação de nossos técnicos, o assunto poderia ser resolvido, como a definição do quê e onde serão investidos os primeiros valores em obras físicas no município.
   O Projeto PAC Cidades históricas que, “perambula” por cerca de 10 anos e que estaria previsto como investimentos iniciais – ainda no governo Dilma Roussef -, pelo menos R$ 27,600 milhões dos mais de R$ 44 milhões ditos “disponíveis’, à época.

   De lá para cá, o transito do mesmo teve inúmeras etapas, com deslocamentos de políticos para a capital do país, do Estado e de lá para cá. Que durante este tempo, pelo menos a parte inicial, algo em torno de R$ 4,100 milhões teriam sido já investidos na elaboração do projeto.

   A comunidade miguelina e missioneira, atordoada com os anúncios e a expectativa, ainda aguaram os primeiros sinais das obras citadas e, desde então o atual governo informa e desinforma, de certa maneira, sobre o andamento do referido benefício.

   Há poucos dias atrás, mais uma vez, o governo Casarin anunciou, outra vez, a vinda, desta,  de cifra parecida a R$ 5 milhões, que seriam investidos do projeto no municípo. Após isso, agora esta ida de técnicos daqui, para a capital do Estado, coisa que mais apavora e assusta do que leva alguma crença de que algo de positivo, enfim, esta época de fato acontecerá.

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Governadores, senadores (mais de 20 não são reeleitos), deputados federais (mais de 50% não são reeleitos), deputados estaduais,…. rodam na tentativa de se reeleger.
O PT foi um dos partidos que mais manteve seus líderes. Até pelo temor da renovação e não atingir os índices possíveis e desejados pelo partido. Reduziu, mas não tanto quanto outras grandes siglas.
A REDE, por exemplo, elegeu 6 senadores embora sua candidata à presidenta, Marina Silva, regredisse de mais de 20 milhões de votos na campanha anterior, para menos que um milhão nesta.

MDB, PSDB, tiveram redução significativa em seus quadros e, estratégias antigas de campanha não foram úteis para evitar a verdadeira varredura na política nacional.
Depois do movimento Diretas Já, este é o maior movimento levado à cabo pelo próprio povo, exigindo e impondo mudanças no país. 
Claro, para que isso aconteça, vai depender do resultado das eleições, do segundo turno, mas a maior parte da nação tem lado e, a tendência é que mantenha até o final esta postura quando, enfim, entregue a seu novo líder, a esperança de comandá-la e promover as reformas que o povo tanto deseja.

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Ex prefeito responde ao LOJ perguntas que tem tudo a ver com o momento atual das pequenas comunidades, ainda agrária, pulverizada nas periferias do país:

– O que o senhor teria a dizer sobre o futuro, como será, sobre a sua comunidade, conseguiria desenhar algumas imagens das nossas comunidades?
– Porque nossas associações de lideranças locais, no transcorrer de suas histórias, tem apresentado um resultado tão pífio às suas próprias comunidades?
-Como o senhor vê o papel atual das atividades produtivas locais, tanto na área urbana, quanto na área rural e o futuro para estas em nossa região?
-Pode hoje o gestor ser um bom gestor se ele não tiver a capacidade de ler o que está acontecendo e apresentar capacidades para conduzir sua empresa, à sociedade para as ‘novas pastagens’ como se refere à Bíblia?
-Viveremos um novo êxodo? De que forma?
-Hoje, o que é grave para as nossas comunidades, não só aqui, mas na grande maioria dos pequenos municípios do país?
-Em que os governo federal e estadual pioram à vida de nossas comunidades?
-Que papel terá a mobilidade, a nova geografia na vida de nossas famílias?
-O que os nossos políticos estão fazendo para adequarem-se às novas realidades que nos arrombam a porta, todas as portas?

O Jornal Liberdade entrevista, o secretário de Administração e ex-prefeito de Mato Queimado, Orcelei Dalla Barba:

L – Prefeito, Orcelei, o número atual, mais a perspectiva futura sobre o número de moradores em um município é algo importante a ser considerado em qualquer manifestação de cunho político. Seja no âmbito social, seja no âmbito de prestação de serviço, de investimentos…. Portanto, se o senhor puder me dizer como vem se comportando estes números em seu município, Mato Queimado?

Orcelei Dalla Barba – Quando por ocasião do processo de emancipação do município, há cerca de 21 a 22 anos, tivemos que fazer todo um recenseamento sobre todas as propriedades e uma descrição o mais detalhada o possível da vida econômica de cada família.
Em relação a àquela época, Sartori, hoje perdemos pelo menos 80% dos produtores de leite e, 100% dos produtores de suínos.
A produção de suínos a que me refiro, é àqueles que além da produção para o consumo, ainda vendiam o excedente para fora, para outros municípios.
Ainda temos uns que criam suínos, mas praticamente todos só para o consumo familiar, local.
Isso é um desastre.
Também desde lá, Mato Queimado que é um município com área geográfica pequena, fechamos 3 escolas no interior.
Também perdemos de 20% a 25% de nossa população no geral, apesar dos esforços em todos os sentidos do poder público em buscar segurar às pessoas aqui.
Antes a população que era economicamente produtiva, ou seja, àquela capaz de produzir renda sem o auxílio de outra, passou a ser uma geração ou que precisa ser cuidada ou que só produz com a ajuda de outra pessoa. Como por exemplo, uma pessoa de mais idade ela ainda pode produzir, mas necessita de alguém que o ampare, o auxilie na execução de uma tarefa.
Se antes tínhamos uma população ativa, produtora de riqueza, hoje isso se inverteu e a grande maioria passou a ser uma geração de pessoas que precisa ser cuidada.
Inverteu-se a situação. Tornamo-nos a cada dia um município de velhos.
Da população total de Mato Queimado, não temos mais do que mil com plena capacidade ativa de trabalho.
Ainda temos para ajudar a piorar o quadro, a quantidade de leis e exigências de todo tipo sobre tudo o que é ou possa ser produzido no campo que é de onde vem a nossa principal riqueza.
Nem bem o agricultor se ajusta a uma nova orientação e já tem a certeza que no dia seguinte virá outra a qual se não se adequar, terá que suspender e até abandonar sua atividade.
Isso acontece muito e inclusive levando a um desespero as famílias que muitas vezes foram motivados até pelo próprio governo, por sindicatos, …. ou políticos locais a desenvolver uma determinada atividade. De lá, o produtor investe os poucos recursos que tem, contratam empréstimos em bancos, dedicam esforços que já nem mais dispõem e logo lá adiante obrigam-se a interromper seu negócio pela inviabilidade de dar continuidade àquele projeto pois, nestes casos, a influência de fatores externos, como a legislação excessivamente dinâmica, as exigências exageradas da Saúde sem considerar as peculiaridades e limitações locais, o peso da prfeitura para à população…É desumano o quadro, muito desumano.

L – Em que os governo federal e estadual pioram à vida de nossas comunidades?

Orcelei – As leis não são criadas por pessoas, Sartori, que conhecem a realidade local. Mas por pessoas em escritórios das grandes cidades, por políticos que tem interesse em suas carreiras tão somente ou em resultados eleitorais, não se preocupam com o homem, não se preocupam de fato como deveriam com o ser humano. E a gente não tem nem sabe como reverter este quadro tão agressivo e violento.
A cada tempo, são sindicatos limitando jornadas de trabalho, estipulando condições, espezinhando tudo e procurando buscar nos mínimos detalhes alguma inadequação as leis que ninguém sabe de tantas que já existem e, ou criam a cada instante e ninguém suporta mais, ninguém quer mais trabalhar, ninguém quer mais saber de aprender, acabou….. enfim, o ser humano toma ciência que a evolução parece que cada vez mais o torna escravo.

L – O que o senhor teria a dizer sobre o futuro, como será, sobre a sua comunidade, conseguiria desenhar algumas imagens das nossas comunidades?

Orcelei – Não quero nem pensar; não quero nem pensar…. não vai muito tempo, não vai muito tempo…
É muito difícil fazer uma previsão, apregoar ânimo diante do quadro que vivemos, do quadro que se vê.
Claro, como tu disse, pode que um fator alheio, externo, possa vir a alterar o atual quadro, como é o pleito de uma ponte ligando à região à Argentina ou, a quase utópica vinda de uma grande empresa para a região, mas a experiência nos deixa pouca esperança que isso venha a acontecer. Em pelo menos nos próximos 25 a 30 anos…

L – Caminhamos para uma espécie de aniquilamento ou ‘amarelão’ de nossas cidades, de um limpa-campo de humanos, coisa assim?

Orcelei – Tudo nos leva a crer que sim. Que no futuro, dentro de até 20 a 25 anos, teremos praticamente só idosos, um pouco de crianças e a população cada vez mais reduzida em nossos municípios, na maioria deles.
Principalmente o nosso onde a geografia não nos favorece muito.
Vocês, em São Miguel ainda tem uma situação bastante diferenciada, favorável ao crescimento..
L – Viveremos uma espécie de êxodo, para regiões de economia mais dinâmica, litoral e grandes centros urbanos ou de parques industriais….?
Resp.: Pg 05
Orcelei, Secretário de Administração – Já estamos vivendo.
Se você considerar a quantidade de pessoas aqui das Missões que se deslocaram para as praias, de Santa Catarina e daqui do Estado, são mais de 3 mil. Todas levando recursos que foram gasto lá, excedente que deveria e poderia serem gastos aqui.
No entanto, não temos algo suficiente para reter ou promover o sentido inverso deste fluxo de capital como por exemplo, termos algo aqui que pudesse atrair o povo de lá, àquele que busca um lugar tranquilo para passar férias, que não gosta de agitação. Nossos investimentos no Turismo ainda é primata. Praticamente exploramos e ainda muito mal o que fora feito há mais de dois séculos por outros povos.

L – Porque nossas associações de lideranças locais, no transcorrer de suas histórias, tem apresentado resultados tão pífio às suas próprias comunidades?

Orcelei – Não temos força política, Sartori. Por isso não temos logrado êxito. Nossas associações, como AMM, DETUR e outras, tem sim se esforçado e muito, até melhorado em suas reivindicações. Prova disso é o movimento que vem sendo feito no sentido de se conseguir produzir fatos concretos nas diversas formas de capitalização das rotas com países vizinhos. Mas o que temos?…
Conversa, conversa e só conversa. Até que algo aconteça de fato, que seja construído que seja uma primeira parte, não temos é nada.

L –Nunca tinha ouvido falar que temos “pouca” força política. Isso me surpreende. Não só pelo fato saber disso, mas pelo fato de haver sido gasto tanto tempo e recursos atrás de uma produção que agora se sabe que as chances são e eram bem pequenas. Também acho que em todos estes anos, uma outra estratégia deveria ter sido buscada, não?
Orcelei D. Barba – Concordo contigo. Mas você tem que considerar que o poder de comandar as associações, não raras vezes, passam pela influência de municípios mais apoderados. E são eles que tem o poder de influência maior. Dependemos deles para tudo e, se estes não conseguirem impor as demandas de suas áreas de influências, afundamos todos juntos.
Mas sei que esta explicação não basta.
A verdade é que temos um só deputado, o Loureiro, que luta de todas as formas mas não tem sido o suficiente. E, outros deputados quando vem para a região, é para fazer inserções rápidas, depois vão-se para suas áreas onde tem seu maior peso de votos. Isso não devia ser assim.

L –Mas já tivemos tempo em que a região teve pelo menos dois deputados?
Orcelei – Oriundos de que município mesmo?..
È o que te falei antes…
Hoje, estamos capenga.

Liberdade – Hoje, o que é grave para as nossas comunidades, não só aqui, mas na grande maioria dos pequenos municípios do país?
Orcelei – Ex prefeito de Mato Queimado: Nesta análise e visão a que nos referimos, acho que uma das piores é termos um gestor seja na atividade privada ou na atividade pública, incapaz de ler estes sinais de mudanças a que te referistes tão bem.
Se ele não conseguir isso, por algum motivo, ele terá enormes dificuldades de fazer algo produtivo para sua comunidade, de fazer a diferença.
Isso não quer dizer que ele não possa ser um bom prefeito, nada a ver, mas hoje já adentramos para um processo de profundas transformações principalmente nas periferias do país. Cito por exemplo, como tu tem alertado no Liberdade, os efeitos da Rede Mundial de Computadores, a internet na vida das pessoas; as mudanças que já promovem para a atividade produtiva; a mobilidade das pessoas em busca de novas oportunidades de trabalho, acesso à regiões com tecnologias mais avançadas e locais de entretenimento e de cultura; ………..
Todos começamos a notar que a venda à balcão, àquela em que a mercadoria estará posta no antigo sistema presencial, de balcão, irá acabar ou, pelo menos reduzir drasticamente. E não temos como nos opor a isso. A forma de fazermos o comércio irá mudar; já está mudando.
Daí que será fundamental uma nova forma de tributação, inclusive para sustentação destas comunidades, como as nossas onde, passaremos a ser quase que completamente dependentes do que virá desta forma, de fora.
Isso não quer dizer que não se continuará a produzir em nossos municípios, pelo contrário. Mas o sistema de produção, como o agronegócio, a pecuária de confinamento e o avanço de tecnologias e da produtividade, irá promover – salvo se isso vier a inverter -, num limpa espaço, de pessoas, extraordinário.

LOJ – Uma reforma agrária, estipulação de limites de área para propriedade rural por exemplo. Respeitando as características e interesse de cada município. Seria uma saída para se inverter esta tendência?
Orcelei – Sim, mas duvido que se tenha força e desejo em se contrariar os grandes interesses que exploram o país…mudar o sistema.
Tem a outra questão, também importante e que tu levantestes, a perda de vínculo das famílias com o seu passado:
Hoje àquela pessoa que passou sua vida, constituiu família e criou seus filhos em determinado local, forçado a ter que ir-se para a cidade, se logo depois retornar para relembrar do lugar onde nasceu, não verá além do trilho provável da estrada e nada mais. Tudo estará mudado, os vestígios não existirão mais, nem àquilo que um dia ele conheceu.
Perde-se as referências, cai-se fácil daí nas propostas salvacionistas e aloca-se para além morte qualquer esperança e, a depressão aumenta….
O homem torna-se objeto, algo manipulável. A vida, os desejos e anseios humanos passam a um terceiro, último plano.

L – Como Mato Queimado prepara-se para esta nova realidade?
Orcelei – Não se prepara, ainda não. Estamos em choque. Mas ainda assim acho que estamos adiante de muitos, uma vez que se tal leitura ainda não é feita, imaginem a situação… onde está sendo atirado o povo.
Aqui ainda temos um dos PIBs mais altos do país e enfrentamos esta situação..

L – Nosso sistema político, nossas escolas e universidades não despertaram ainda para esta situação…. nada ou quase nada se vê a respeito, onde iremos parar?
Orcelei – Creio que nem iremos parar. Iremos perder e, a medida que continuaremos atípico ou incapaz de fazer estas leituras e começar a agir, acontecerá o que vem acontecendo: perderemos nossos jovens, nossa capacidade ativa de trabalho; nossa criatividade inovadora, nossa capacidade de atrair investimentos, nossas melhores oportunidades ou continuará a serem inexploradas ou, morrendo.
Do jeito que temos conduzido nossa política, da forma e qualificação da grande maioria de nosso quadro político, do mais alto cargo ao mais simples no país como um todo, nada nos sugere além do fortalecimento de nossa situação de dependência e de mais miséria em relação a outros países mais desenvolvidos ou que venham conseguindo caminhar em direção a este processo.
Mais do que nunca devemos ter a responsabilidade de admitir que a competência, a qualificação, a qualidade da educação, o atendimento de qualidade na Saúde, a falta de incentivo à Escola de qualidade e a meritocracia……. Precisam voltar a ter importância. Isso é urgente.
Passou e vai tarde todo o romantismo do “não sabe escrever o nome, mas pode ser deputado”; não sabe nada, mas pode ser um presidente de uma multinacional.
Até pode ser, desde que não tenha uma alma que dependa da decisão dela pois, mesmo que venha a ser competente – e isso é sempre possível -, as chances de que possa a não desempenhar bem sua função é cada vez menor sem o estudo. E isso precisa ser considerado e valorizado pela população.
Acho, Sartori, que na função pública, um mandato, no máximo dois e depois a pessoa deve sim dar lugar a outro. Dar-se por conta que se tinha que fazer alguma coisa, teve a oportunidade e se não fez, não fará ou, dificilmente fará.
Infelizmente, ainda prevalece em alguns lugares o poder econômico, o interesse pessoal ou de grupos sobre o interesse ou o que é de fato bom e necessário para a coletividade. Muitas figuras ainda conseguem impor ou se impor por cima do próprio povo, subjugando-o até a exaustão, visando tão somente os interesses particulares, ideológicos ou partidários tão somente. Isso deve ainda ser considerado crime.

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Por ocasião da primeira visita da Seicho No Ye, à São Miguel das Missões…

Liberdade entrevista:
Preletor da Seicho-No-Ie no Brasil,
Marcos Rogério Pinto

Conversamos com Marcos, no Tenondé Park Hotel, na tarde que antecedeu o dia do evento.
Paulista, culto, nos pareceu impressionado com as ‘coisas’ nossas, com nosso jeito típico de ser de gaúcho pampeano aqui do extremo Sul do Brasil.
A medida que a conversa ia avançando, aos poucos, o preletor, Marcos deixava transparecer um conhecimento considerável sobre os eventos que aqui se sucederam desde os primeiros tempos da chegada dos jesuítas, as bandeiras e a decadência de uma das primeiras experiências realmente cristãs em terras brasileiras.
Liberdade – Marcos, este será o segundo encontro da Seicho-No-Ie em terras miguelinas, nas Missões ao Sul do Brasil.
O que vistes em teu retorno, ao tocar solo missioneiro, já que vives no Estado de São Paulo?
Marcos Rogério Pinto – Uma imensa alegria, ao ver da hospitalidade, da disponibilidade de pessoas do povo ao nos recepcionar de uma forma tão hospitaleira, tão simples e com resultados tão animadores… sinto-me imensamente feliz.
Em companhia da Secretária Marcia, visitamos pessoas como o Sr. Carlos, frente a entrada ao Sitio, foi tão gentil e nos presenteou com imenso conhecimento sobre a história aqui vivenciada… me encantei com a visita a benzedeira, Sra. Alzira e Sr. Dorcino, onde vê-se a pluralidade de crenças, desta convivência com os diferentes credos, o Brasil é um país abençoado também por esta peculiaridade. Também, tive imenso prazer em falar com a Sra. Dirce, do Restaurante Meu Cantinho, que me encantou com sua simpatia..
Este jeito não ganancioso de ser, do perdão natural, do não acumular além do necessário e que são marcas índias aí presentes nesta cultura… isso são heranças humanistas muito forte e aqui presentes na imagem dos remanescentes dos guaranis.
Convêm lembrar que sobre o que aqui aconteceu franceses como Voltaire e Montesquieu, dotado de notável sabedoria, citaram como: “Triunfo da Humanidade” e, “local do nascimento e surgimento de uma sociedade aborígene industrial”. Aqui aconteceu a primeira imprensa escrita do país; aqui se considera o local da origem do Estado gaúcho; também onde as buscas pela terra, pelo trabalho digno aconteceu com tamanho esplendor. Foi aqui, em uma sociedade dita primitiva que a viúva, o inválido, o idoso tinha assegurado o provento na velhice, no momento de convalescença ou por toda a vida.

Liberdade – O que vê de diferente no segundo encontro de oração aqui em São Miguel. Disse da primeira vez: “Este ano acontece em São Miguel…” atendendo também sugestão de amigos espíritas. O ato se repetiu, para o bem e a alegria dos miguelinos…?
Marcos -A primeira vez, tivemos um encontro de rara beleza, com propósitos tão justos à nossas demandas que chamou a atenção: a oração pelos povos que viveram a experiência da guerra.
O que nos trouxe, outra vez à São Miguel foram os efeitos do que sentimos a tocar este solo, realmente aqui, as respostas que se obtêm… Também pelo teu trabalho, da excelente cobertura que tivemos do Jornal Liberdade e o que viemos a saber que fora produzido aqui como consequência e, te afirmo, já motivados voltaremos pela terceira vez aqui, ainda mais e melhor programado, contando outra vez com a tua colaboração.

Liberdade – É corriqueiro nas histórias locais, a espiritualidade humana dizer sentir a presença de “algo estranho” como que ‘nuvens que pairam sobre São Miguel’, solidificada em sofrimento dos locais.
A Seicho-No-Ie, ao que sei vem para esclarecer que estas interpretações fazem parte do passado, que a felicidade está a porta, ao alcance de cada um, que é perfeitamente e totalmente tangível, basta querer, mentalizar e acreditar na imagem perfeita, a melhor imagem, é isso?
Marcos, preletor da Seicho-No-Ie – Nós, da Seicho-No-Ie não cultuamos, nem negamos que elas existiram, mas nós buscamos a imagem verdadeira, a imagem pura e, por isso, para nós não houve, nem nunca haverá conflitos. Assim pensamos ao não aceitarmos a ilusão (mal), ele tende a se dissipar.
Do mesmo modo é importante lembrar Darci Ribeiro, quando escreve: “O homem não estava preparado para toda esta beleza”, da crença na Verdade, não na utopia que mantêm viva a ilusão do imperfeito.
Orar para todos os povos, para quem enxerguem o mundo maravilhoso que temos, para tanto de belo que nos é dado, que assumam o que de fato é real, a felicidade de toda criatura, … Buscamos mostrar que o feio, o errado, o conflito, enfim, tudo o que é mau, não existe, nunca existiu.
Uma vez que o ser humano tomar posse do que de fato é, o mundo viverá o seu verdadeiro paraíso.
Ao vir para São Miguel, pela primeira vez, oramos para a libertação de imagens de supostos conflitos da guerra. O que acontece depois? e ?
Vê-se país a fora o povo como a dizer: “Queremos nossos melhores valores, queremos nossos melhores símbolos, queremos… quer dizer, o povo passou a buscar a melhor imagem, a ter de fato a Verdade.
Agora, você junta as palavras do índio, Sepé: Esta terra tem dono, ela pertence a nós (queremos) e a São Miguel (Deus – Imagem Perfeita), nota-se a clara correlação.
Aí, concluo que nosso encontro aqui, como não podia ser diferente, não é sem uma correlação divina. Por isso da minha certeza que por hora é aqui, que devemos continuar a nos encontrar.
A Seicho-No-Ie nos ensina que devemos assumir a responsabilidade por nossos atos; que amor e sabedoria estão tão desassociadas quanto relacionadas.
Você precisa amar, mas você também precisa ser sábio. E ser sábio é ser responsável por tudo, inclusive pelas imagens que você vê e valoriza.
As duas se complementam e, se uma das duas falta, o ser continua imperfeito.
Também nos ensina que o que move uma pessoa é a gratidão; que a insatisfação imobiliza, gera conformismo, resignação.
O caminho da liberdade é o caminho da gratidão.
A gratidão gera o desejo de viver, é a vida, é crescimento.
Nós somos dignos e merecedores das melhores causas que temos no planeta terra.

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Nota de esclarecimento
        Em relação a matéria eventualmente publicada neste site – www.liberdadeojornal.com.br – sobre o  PIB trimestral, esclarecemos que este “nunca foi objeto de convênio com este estado (RGS)  e com nenhuma Unidade da Federação, uma vez que não faz parte do plano de trabalho do Instituto – O IBGE.
  
                   Pedimos escusas pelo nosso equivoco!
 
João Antonio Sartori – Diretor do Liberdade – O Jornal

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                          Tatú´s Bar

 Por João Antônio Sartori

     Oitavado em um canto do balcão, pedi ao bolicheiro, Pedro, que dedilhava uma bíblia de compromissados, que me servisse um trato de canha….
     Me serviu foi um bruta copo de guaraná, morno.

    ‘Por dios,’ os dedos ainda doíam e, lá fora, juro, parecia mesmo era o Bar do Chico Torto.
    Mal haviam acabado de levar os feridos, o clima ainda tenso, eu com o sangue ainda quente, esperava eu por mais uma resposta.
    Caramba que noite feia…. Daquelas que multiplicam histórias, entram pra história!
    Não que eu goste, mas a verdade é que desaforo quando é demasiado, faz até preguiça virar em gato e, a noite que passou, se passaram demais,… apostaram na minha conhecida fraqueza, deitaram e resolveram me tirar pra trouxa, por não ser gaudério, pachola, nem arruacento…..
   E, digo mais: por evitar peleias, até por não ter tempo para elas, mas sempre há por aí alguém disposto a resgatar passado, e se fazer valente pra cima de algum vivente que entende, não precisa ficar provando, a todo instante ser macho, peleador e pouco afeito à prepotências…

   A bem que te diga, mal tinha chegado à tarde e…. me aproximava do Tatú, pra comprar um litro de ‘querosene’, coisa rara aí por perto quando me veio a primeira paulada… e que paulada!!
  Me pegaram pelas costas e ainda imagino, ter sido um belo espeto que, amaciou o meu coro da cintura até o cabelo.
  Vieram outras… e alguns estouros de facão que por não quebrar com o laçaço, deva ser da Tramontina….. Desgraçados…!
  Tonto e atordoado, com os olhos tentando naquelas alturas me acostumar rápido com o escuro, antes mesmo de descer ao solo, amaciei a queda no colo da seiva vermelha e encharcada, já me agarando como preso ao casaco de um desgraçado.
   Conto porque também foi bonito que, entre bofetada e outra, buscava o pé do nariz das agora já vítimas, até que por puro milagre vi, no breu da noite fria, a figura da neta do amigo Pedro, o dono do bar do tatú ou, tatú`s bar, disposta a me lançar uma adaga, lasca de cerca de 80 centímetros, minha velha conhecida – acreditem -, da famosa marca collins.
  Deus, se apiede dos desgraçados…., se te pego, pensei e, o arremeço foi certeiro. Tanto que mal me apossava dela e o primeiro desenho já separava em dois o ventre do mais chegado, claro, imaginei!

   Se eram quatro que peleavam tanto; se eram oito…, não exagero.
  Pela quantidade de golpes, pra me abrir no meio e o entrevero dos que pareciam querer meu pêlo.
   O sangue, que acredito, motivado pelos ‘planchaços’, me moviam feito gato e, na segunda cruza útil do ferro vi, o clarão de lua comanche no osso de outro dos desgraçados.
   Como escrevera o amigo Jaime, aí, de São Luiz Gonzaga, “separando couro, carne e osso do topete do cabelo, fazendo testa, nariz, enfim rosto, até o peito” sem exagero pretendido.
   E assim foi se desenrolando e a Colins que voltaria pras minhas posses, custe o que custasse, me servia como só. Haveria de rever melhor àquela morena…, china crinuda e faceira que agora, justificava olhares matreiros, antes entendidos ‘para os pintos’!!
   Enquanto partia crânios, pernas e estripando àquele, já imaginando, bando de desgraçados, deixei – juro -, à morte ainda cerca de três pés criados de pessegueiro, duas laranjeiras e até um par de cabras fêmeas que Pedro tinha para – jurava ele -, comer quando solito.
   A cachorrada, mais habituada a um lero saiu em menos prejuízo e entre o primeiro, partido ao meio e o outro estrebuchado, os demais se retiraram, pela mata próxima, uivando como a reclamar a razão de tanta barbárie.
   Há muitos que dizem ter visto um entrevero, no escuro; outros, que é coisa feia, a maioria imagina… sim, porque um de verdade, nunca viu ou, se viu, foi dois ou três furado, aqui, acolá… Jaime, que me perdoe, pode que tenha até ouvido falar, porque são poucos que sobrevivem para narrar a história como eu!
   Mas o que aconteceu no Bar do Tatú ou no Tatú,s Bar, era coisa que só visto pra acreditar. A serviçama que deu ao Pedro, a patroa, à família e a vizinhança espavorida na madrugada ainda escura, juntando partes pra não acostumar mal os cuscos, mas faltava peças se via, ficariam sacís, manetas, cabeça ao menos dava para somar 5, não importa… afinal, mesmo os traiçoeiros merecem uma santa sepultura, não concordam?
  No dia seguinte, contaram-me, estariam reunindo um parentesco e viriam, outra vez, para fazer o que não tinham conseguido completar na noite e, eu, como entendo que certas coisas se faz melhor com o sangue ainda quente, estou aí, renegociando a adaga colins, com o seu agora ainda proprietário, amigo Pedro, amigaço e torcendo para que entenda, de minhas novas necessidades e me abra um crédito, mais este, que o compromisso é certo e pare, de me servir guaraná por canha, só porque lhe deixei sem frutas, sem as parceiras e fiz um estrago na cachorrada.

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Não só nas periferias do país, mas principalmente nas Missões, ao Sul do Brasil, pedaço do projeto jesuítico-guarani, as dicotomias estão presentes:

A cultura das tradições, aí, do nativismo, ‘peleia’ de igual para igual com a tradição dos povos que para cá vieram e hoje, são a força, principalmente econômica predominante na região citada.

Claro, pode-se dizer que há uma fusão tranquila, afirmariam uns. Mas não dá para acreditar no que as aparências vendem, não sempre.

Assim, com o potencial de decisão daqueles que detêm no momento os recursos financeiros, ao se confrontar com a cultura que foi de certa forma acantonada, vê-se aí os conflitos de forma bem mais latente.

Como se não bastasse, outros também são evidentes:

Por exemplo: Na terra onde nasceu a imprensa escrita no país – São João Batista -, logo aí, bem perto o exercício tranquilo da mesma é quase um sonho, uma utopia.

Ainda, os gritos de Liberdade, de acesso à terra e do direito de viver dos povos vencidos, é algo que se questiona e se acirra cada vez mais.

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Na pampa ainda crua, Thais Aiela, da Thais Fotografias e Gabriel, posam para a foto do LOJ.

São Miguel das Missões, as Missões como um todo, ao Sul do Brasil, perdem à olhos vistos suas últimas imagens primitivas de quando à pampa ainda era virgem, mais nua, natural.

Agora, os modernismos estão aí e perde-se com a química e as ignorâncias cada vez mais fartas, o pouco que resta da pureza e da velha beleza do amado, Rio Grande.

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São Miguel das Missões – RS, terra do Patrimônio Cultural da Humanidade.
    São Miguel das Missões, terra do Jornal – O Liberdade!

Imagem, deste sábado, dia 16 de junho de 2018, mostra forte geada que caiu nos campos do Sul, produzindo a bonita imagem desta terra abençoada por Deus e defendida bravamente pelos irmãos e filhos de Sepé.

Visite São Miguel das Missões, visite o Liberdade – O Jornal. Venha saber porque somos tão diferente e provocamos ‘coisas’ em quem nos prestigia!!!