Modismo

0 422

  Antes que a vossa panela seque e não tenha você o que mais por dentro dela, saia, vá à luz, dê teu nome para que teus filhos vejam em você, guerreiro, algo parecido com teus panos, largos…! 
Deixem das vacas para se fazer homem…. pobres vacas!
Não vos intimideis que a comida irá lhe faltar…
Haverá de te sustentar com o vento, o Norte, o Minuano,… que voa carregado de pólen e poderá fecundar teu corpo já nú.
Não te impressione com a lábia dos lacaios, os detentores da terra e de tudo que, se sabe, te ameaçam e cada vez mais te empurram para os grotões ou cantos das grandes cidades onde, como cordeiros um dia, nesta senda, acabará confinado, em um brete espetacular e sem volta..
Lá não mais podereis montar em teu cavalinho, agora alimentado no terreno do vizinho; nem poderá sequer deixar esvoaçar os panos de tua larga e domingueira bombacha..
Que restará de ti que não os trapos, cada vez mais justo, á bunda à mostra e as contas no comércio de te fazer um verdadeiro ambulante, que perambula feito um rei, como se a bolsa para o filho teu, o aluguel social para a filha tua e a aposentadoria para teus fraldões, um dia possa te trazer de volta, por exemplo, a coragem que você, guerreiro, nunca teve.
Nem sequer para fazer ouvir o teu nome…..valente ou, por medo que alguém o ouvisse e o tivesse que o fazer respeitar.

0 466

Envelheceu a monarquia inglesa;
Envelheceu os políticos;
Envelheceu a forma de se montar à mídia;
Envelheceram as relações humanas, o casamento está mais ameaçado do que nunca;

Ninguém mais suporta carregar um setor público pesado e improdutivo, salvo raros lampejos de modernidade;

Ninguém mais atura aprender de forma didática as burocracias ainda necessárias;

…………… o homem já não sabe mais para onde vai.

Nem mesmo as religiões – atropeladas pela luz de algum conhecimento que já violenta os velhos parâmetros, os velhos dogmas que aos montes, um cai sobre os outros, sucumbindo diante do arrocho que sofre a ignorância.

O Liberdade – O Jornal observa tudo isso e, nota o quanto sofrem os antigos, os cada vez menos antigos e o que é antigo para tentar evitar fugir de seu controle, as mudanças que nem sempre são benéficas ou acontecem da forma a mais adequada como se gostaria.
Hoje, o malandro, o safado que fatura a esposa do cão ou seja, daquele que trabalha para sustenta-la e a sua prole, vem conquistando espaço no mundo dos direitos. Não mais como àquele que a veria na zona, mas ali dentro, ao lado, dos olhos de todos eles, na melhor mídia em seus quartos, desde a mais tenra idade…
Hoje a mãe, o pai que se preocupa com o próprio filho, está primeiro sujeito à posse dos mesmos pelo Estado que, precisa de mais motivo para justificar à exploração que impõe sobre sua grande massa escravizada, mar de súditos.
Hoje, nas redes sociais, a miséria se encontra e ali também se expressa, em  e com toda a exuberância de sua ignorância, julgando, opinando, evoluindo como uma nascente de um vulcão poderoso.

Pois não haverá quem diga que isso tudo não converge para uma evolução?

Sim, creio que sim.

0 425

     Na divisa de Mato Queimado, município próximo à Caibaté, divisa com Cerro Largo, na travessia do Rio Ijuí, por pelo menos 8 horas, ela leva a balsa de um lado a outro do rio.

     Com sol, frio, chuva, esta guerreira que mereceu espaço nas páginas escritas do Liberdade – O Jornal, mostra a garra e a determinação de trabalhadores brasileiros que nunca, nem em mídias sociais, vêem cantado suas dificuldades. Porque também eles não tem sindicato, nem massa corporativa para os defender.

0 518

Protesto dos caminhoneiros abre brecha para empresários remarcarem preços, para o alto, auferir altos lucros e se locupletar com a escassez temporária e até facilitada de alimentos

Proprietários de veículos de passeio movido à diesel, grandes proprietários rurais, grandes companhias de caminhoneiros, … estão entre os que se beneficiaram junto com a classe trabalhadora dos caminhoneiros e em reconhecida dificuldade, que buscava pressionar o governo para que contivesse à alta do combustível.

Quem pagará a conta do subsídio concedido pelo governo, será a área da Saúde e da Educação. Coisa que atinge em cheio a classe mais pobre do país.

Ainda por cima, a falta de alimentos e do próprio combustível, já impacta de forma violenta no bolso do povo que vê, praticamente todos os produtos, serem remarcados às alturas e não tem como escapar de comprar. Claro, novamente ferrando com os que podem menos, àqueles que trabalham de dia para comprar no final da tarde, imaginem.’

O governo alega que com o andar da carroça ‘as abóboras irão se acomodando’ e que a população ‘deve denunciar’, imaginem….. quanta ironia.

Até que as tais ‘abóboras’ se acomodem, o bolso do povão que já anda esgualepado, terá atingido um novo patamar, alocando mais alguns milhões para algum estágio de pobreza a baixo do que já vive, se é que isso ainda seja possível na forma vegetativa que já vive.

0 489

Umas poucas empresas transnacionais, com poderio inclusive superior à economia de vários países do mundo, cada vez mais planejam, financiam e implantam seus projetos, sejam em praticamente qualquer país do globo que bem lhes interessar.

Durante a ditadura militar, no Brasil, resgatou-se a ideia da soberania Nacional, ou seja, o governo brasileiro deveria ter sob seu controle ou de brasileiros, de políticas e ações estratégicas para a nação. Por exemplo, a produção de armas de guerra, como avião, munição, foguetes; agricultura forte para a segurança alimentar da nação; sistema financeiro robusto para, em caso de necessidade, o governo poder lançar mão do dinheiro acumulado e fazer uso para atender eventuais necessidade e, por aí a fora.

Para tal, vários planos foram desenvolvidos e, muitos deles, posto em prática: a construção da transamazônica, que tinha o interesse de evitar a perda de território nacional para possíveis países que já mantinham nela até bases militares e sem o conhecimento do governo brasileiro; a construção de usinas nucleares; o Banco Nacional de Habitação (BNH); a ampliação da malha rodoviária por todo o país, etc, etc…

Após, com a redemocratização do país, entra uma leva de brasileiros que, afora o justo desejo de liberdades, principalmente as políticas, passam a ocupar o lugar daqueles que – como bem alertara o então presidente, o gaúcho, João Figueiredo que alertou: “Eles virão e vão se lavar em roubalheiras, corrupção e irão levar o povo brasileiro aos gritos pedir a nossa volta, a volta dos militares”, algo assim.

Bem, o Brasil precisava sim de recuperar espaço no cenário internacional.

A economia, as políticas sociais, o atraso tecnológico, entre outros, resultado do esforço que apesar de hercúleo do regime de exceção, penava pela distância da posse de conhecimento entre o povo de nosso país e de outros países no globo já imensamente adiantado.

Tínhamos ainda quase uma centena de milhões de brasileiros se não analfabetos, analfabetos funcionais ou seja, àquele que diz-se alfabetizado, mas mal sabe escrever, calcular as operações básicas da matemática, entre outros.

Pós militares, o novo governo democrático, um professor, Fernando Henrique, importa e implementa no país, ideia que trouxe consigo, do exílio, no Chile, implementa-o no país, chamado Plano Real.

Das consequências, o LOJ não vai tratar aqui, mas o Brasil tinha uma chance de se modernizar. Havia a disposição da sociedade e a expectativa de transformação do país.

Ao lado, este novo governo que tinha simpatia pelo avanço do processo de redemocratização, dá voz à força que se fortalecia, ao lado, representada na imagem do Partido dos Trabalhadores que, o povo já tinha sofrido bastante, muitos haviam se locupletado com riquezas e, era a vez dos mais pobres acessarem o mel do vespeiro.

Tem início ao novo governo, governo Lula e, este descobre que havia o crédito e, que através do crédito possibilitado ao povo, este poderia consumir e, consumindo, teria privado um pouco de suas tantas necessidades e, assim, a indústria teria que produzir mais, o governo receberia mais, geraria mais emprego e, automaticamente – se pensava – o Brasil teria encontrado seu rumo de grandeza.

Junto, a nova turma, digo, o novo governo, ávido por tanto de tão pouco no passado, busca e identifica as galinhas de ovos de ouro que o governo poderia contar:

A gigante do petróleo, a estatal Petrobras, Correios, Fundo de Pensão, etc…. eram ou melhor, faziam parte das minas que os governantes exploravam. Deus…..

Também não vem ao caso, mas tais políticas também permitiram alguns grandes empresários, que viram o mar de “bonança” que a classe politica ora vivia com intensidade jamais até imaginada, começa a exigir do governo parte do bolo. Outros, menos ‘espertos’, exigem benefícios, como os concedidos: “desoneração fiscal” para empresários; perdão de dívidas ou não cobrança de dívidas para grandes devedores, principalmente do agronegócio e, na questão social, o governo ampliava apoio e endeusamento, dando aos mais miseráveis um quinhão do “respeito” que ele jamais tinha visto ou imaginado alcançar antes.

Tornava-se um deus!

Quando o nível mínimo de sanidade do governo pós Lula começou a ser questionado, até pelo seu padrinho, foi a vez da Força Militar do país sugerir há alguns políticos que promovessem à mudança ou, eles o fariam.

Ao lado, bancam a ação de um magistrado, encarregado de punir os corvos que ora sangram à nação ou, ao menos dar sinal aos abutres que as coisas estavam a indicar mudanças.

Sem citar a forma, “respeitosamente” e indiferente se a mudança indicasse a permanência ou não de algum corvo no comando do país, um novo quadro se desenhava para acontecer.

Ao lado, o “mar” de beneficiados, ante a eminência de perder o pai, se desesperam e voltam-se, a toda força, contra justo àquele que eles colocaram lá.

Inconformados e justificados pelo arroxo agora vivido, motivado pelo choque de realismo de um país quebrado, atiram à ele tão somente as mazelas que provocaram todos juntos.

Da política de segurança nacional…. que segurança se ao se mover o pano, deixamos a mostra a bunda?

Então, o atual governo passa a promover uma série de medias na tentativa de modernizar a economia.

Apesar dos avanços, conseguidos até em pouco tempo, não consegue levar adiante seu projeto e, inclusive, é ameaçado perder o cargo. Claro, arrastando consigo um mar de dificuldades, atrasos, etc.. que não o minimiza pois são frutos de vários governos anteriores, mas é prensado contra à parede pela pressão da grande maioria da nação que reclama “direitos” e direitos e, sem foco, sem qualquer manifestação de interesse em ter, para o próprio bem, grita e berra: queremos melhorias, nem que a ‘vaca tussa’ e que o preço do combustível favoreça não só o caminhoneiro pobre, mas o rico que só roda ou usa o diesel!

0 508

Catuípe, anos 60, família Sartori e Botega, outras, dia festivo, bodas, mata, musica ‘de assopro’, natureza, carne, convivência, famílias, confraternização, que tempo….
Que tempo que não volta mais, quando o computador era ainda coisa de país rico e, uma só peça ocupava a área de um grande prédio.
Assim é a vida, passa, não volta, viva e agradeça, considere que todo o momento é uma rara oportunidade única, na vida de um ser único, em um contexto único.

0 429

Foi em um momentos daquele que a alegria extravasa o peito, quando à época da gravidez de minha esposa, após o nascimento de minha filha, a primeira e na cabeça me correu a lista de prováveis nomes que poderiam serem meus compadres.
Um, decidi assim. Aliás, o único que foi eu que decidira:
Era parente de minha esposa
Era simples, humilde e trabalhador
Era honesto. Não podia querer mais.
Assim foi e seguida ia eu lá visitar o meu compadre, imagine uma figura dos contos próximo ao Busca-pé, um “bicho” nas palavras da vizinhança, tal era a forma simples em que vivia e por seu um ‘bicho’ de tanto trabalhar.
Alfredo, está lá em sua casa, ainda. Alfredo gostava de seus bichos, mas gostava mais era de seus cachorros.
De tão esbeltos, um apoiva-se no outro até que uma nova leva de milhos lhes permitissem formar fileiras e inclinar a vara ou, apoiado nos traseiros, pudesse começar a roer o doce de uma espiga.
Alfredo tinha porcos, um tanto solto, criado pelos banhados, andarilhos pelas costas do rio ali próximo. Outros, debaixo de uns pedaços de latas, equilibrando-se por alguns pedaços de tábuas ou madeira ali atirados para tentarem escapar-se das próprias fezes, do barro ou da pulgas quando a chuva tornava-se escassa.
Teve àquela vez que os ratos atacaram a porcada…. mas isso é para outro momento.
Alfredo tinha algumas cabeças de gado que, no inverno, não se sabe porque milagre, conseguiam varar de ponta a ponta deixando não mais que uns poucos deles a branquear os ossos tão logo não mais conseguissem levantar e, então, saciaria a cachorrada, dele e da vizinhança. Ao menos por uns…. 2 a 3 dias. Não dava nem pra urubu, tinha pouco.
Alfredo tinha galinhas, uns poucos patos e muitos, mas muitos gatos do mato, raposas que vinham disputar as penosas em seu terreiro.
A bem da verdade, as sem limites ultrapassavam as fronteiras do pequeno sítio e aventuravam-se por dentro da lavoura que, sendo otimista, somava umas poucas unidades de milhares de pés-de-milho, soja intercadalado, batata-doces, mandiocal e por aí a fora. No meio das penosas e dos ariscos, as cobras e a cachorrada.
Foi até que a idade não mais permitiu que Alfredo continuasse sua vida cada vez mais solitária no meio rural.
A saúde faltava cada vez mais; as pernas não ajudavam e tudo estava a lhe indicar que seu caminho seria a vida urbana, da cidade.
Viveria ‘como rato em guampa’ como costumava dizer: Teria que viver ‘preso’, limitado por um pequeno lote de pouco mais de 60 metros de perímetros e, os bichos, esses teria que acomodar por alguma beira de estrada, algum terreno mal ocupado. E foi assim…
Vir sem eles, nem pensar, fazia parte de sua história, sempre fez e deixar os gatos, seu cavalo tobiano, as tralhas, as galinhas ficar sem nenhuma, não se imaginava em vida.
Os cachorros, claro, não os deixaria lá, nem seria tão desalmado de os distribuir na vizinhança pois, se sabia que poderiam pegar corpo, jamais a fartura substituiria a relação dele com eles, nem pensar.
E assim, outra vez, foi…
Várias carroçadas, digo, umas três carretas puxadas por um velho valmetinho, fizeram a mudança dos trastes, das tábuas da velha casa, da madeirama (se é que dava pra se dizer de fato isso) do galpão, pois ‘serviria para alguma coisa e …. Os bichos, vieram atados, no reponte, por aí..
E a vida renasce em sua provável e última morada, um quadradinho na cidade, na vila da cidade.
A saudade bateu, batia tantas vezes… O rio, então, que saudades do rio, dos banhos nas tardes quentes, de seu ronco companheiro; da água que sempre ia e nunca terminava, de tanto dele…
Deus, era o fim; a morte, melhor, a proximidade da morte era assim, devia de ser assim e deveria se acostumar.
Aos poucos acomodou a bicharada, se acostumou nos trajeitos de vileiro, fez amizadas e se especializou nas malandragens daquela vida de fronteiras próximas..
Aprendeu que os políticos são piores que já imaginava e imaginava ser impossível serem pior…
Suportou tudo ou, ao menos pensou ter suportado tudo e, dia desses ainda, veio o tal Código de Postura.
Alfredo não mais podia voltar pro campo e, nem sabia se teria dinheiro para pagar o calçamento; pelo cheiro do cavalo, pelas moscas nas fezes da galinha… sim, era o fim ou quase pois, restava de desgraça uns merdas, merdas da prefeitura.