Sociedade em foco

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Não é mais pratica comum, nas escolas brasileiras, o hábito de cantar o hino nacional.
Nem mesmo, outros hinos ou, tomar conhecimento dos símbolos nacionais.
A medida que novos conceitos de amor pela própria nação foi ganhando força e espaço, o abandono do carinho pelas características particulares da nação brasileira, foi se perdendo no tempo.
Hoje, o presidente, Jair Bolsonaro, tenta incentivar o retorno das práticas de amor pelo Brasil, o nosso país. 
Sem isso, não nos identificaremos como nação, perderemos valores e muito de nossa riqueza.

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Nota:
O Liberdade – O Jornal, se sente lisonjeado, por ter entre sua fila de colaboradores, alguém do ‘nipe’ de Adão Miguel Ferreira, fato este fortemente afirmado por leitores do jornal que o citam, em não raras vezes, falando sobre suas tantas qualidades e exemplo, principalmente ao mais jovens.
Loja de Calçados Farroupilha; Dra. Advogada, Ivone Andrade e família; Dra. Advogada, Simone Meottí; Dr. Advogado, Enio Marciano; no Caibaté; muitos em Santo Ângelo e inúmeros, aqui, em sua terra, São Miguel das Missões.
Adão, pai de extensa família, já viúvo, cuida da mesma como a mãe cuida da ninhada.
Apaixonado pela leitura, frequentou as primeiras séries da Escola, aqui mesmo no interior do município, mas orgulha-se de dizer que nunca parou de ler, de se informar.
Filiado ao Círculo Esotérico ao qual defende seus melhores ideais, Adão cata por todo o canto livros e ensinamentos dos mais diversos escritores e, com uma sensibilidade única, traz aos apreciadores do Liberdade, não só o grande alento que tanto representa para este pequeno jornal, mas primícias que somam na vida daqueles que buscam na arte da leitura, alimento para suas almas, riquezas para seu próprio conhecimento, daquilo que realmente importa.
Há quem tenha nos dito, que recorta do jornal, os textos de Adão Miguel, tal é o carinho que mantêm com facilidades tantas e a admiração por este pequeno agricultor que vive ‘espremido’ por grandes lavoureiros que o hidratam de tudo, do secante ao adubo.
Adão Miguel passou por muitas… teve oportunidade de conhecer da dor, às dores que o mundo oferta. Resistiu como ….. como dissemos, brincando com ele -, como ‘o mais puro cerne de grápia’ e assim permanecerá por muitos e muitos anos…
Uma das coisas mais incríveis e que e nos deixa perplexo, confesso, é quando tenho a feliz oportunidade de visita-lo, em sua casa, ouvir de sua boca palavras de gratidão por nossa tão discreta presença ante tanto.
Sim, ante tanto que vimos, que sentimos ao visita-lo e, outra vez, ouvir de sua imensa sabedoria, de sua incansável busca pelo que julga certo, de sua sempre em alta vontade de alertar para a necessidade de se aprender mais e mais.
No velho São Miguel, das Missões, o LOJ tem cavado cabedais, tantos…. e, há que ainda diga que muitos ainda procuram por estes, pelo território todo. Vão com aparelhos….
Mesmo após tantos anos que se passaram, desde os tempos que, dizem, teria sido escondido à maioria daqueles, justo agora, à luz do sol, temos encontrado tantos…, tantos…. e, mesmo neste mesmo mundo onde os processos de desenvolvimentos acontecem de forma tão anárquica, de forma tão agressiva e violenta, lá vamos nós a encontrar Adãos, nas restingas, nas taperas, nas costas de rios que ainda não conseguiram apagar e que ainda guardam algum vestígio deste manancial tão farto, eventualmente tão à flor, como também muitos já soterrados pelo desenvolvimento natural de um progresso questionável.
Na nossa gente, a mais simples e que nem vê, mas sente até seus vestígios desaparecerem de há pouco para trás, o Liberdade – O Jornal persiste, mesmo amassado por prefeituras e políticos do momento, a colher e guardar para um dia a mais, por um dia a mais, àquilo que para muitos, discretos, mas realmente importante, estas ‘lembranças’ vivas de nossas riquezas que – parece -, não interessam mais.

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Ex prefeito responde ao LOJ perguntas que tem tudo a ver com o momento atual das pequenas comunidades, ainda agrária, pulverizada nas periferias do país:

– O que o senhor teria a dizer sobre o futuro, como será, sobre a sua comunidade, conseguiria desenhar algumas imagens das nossas comunidades?
– Porque nossas associações de lideranças locais, no transcorrer de suas histórias, tem apresentado um resultado tão pífio às suas próprias comunidades?
-Como o senhor vê o papel atual das atividades produtivas locais, tanto na área urbana, quanto na área rural e o futuro para estas em nossa região?
-Pode hoje o gestor ser um bom gestor se ele não tiver a capacidade de ler o que está acontecendo e apresentar capacidades para conduzir sua empresa, à sociedade para as ‘novas pastagens’ como se refere à Bíblia?
-Viveremos um novo êxodo? De que forma?
-Hoje, o que é grave para as nossas comunidades, não só aqui, mas na grande maioria dos pequenos municípios do país?
-Em que os governo federal e estadual pioram à vida de nossas comunidades?
-Que papel terá a mobilidade, a nova geografia na vida de nossas famílias?
-O que os nossos políticos estão fazendo para adequarem-se às novas realidades que nos arrombam a porta, todas as portas?

O Jornal Liberdade entrevista, o secretário de Administração e ex-prefeito de Mato Queimado, Orcelei Dalla Barba:

L – Prefeito, Orcelei, o número atual, mais a perspectiva futura sobre o número de moradores em um município é algo importante a ser considerado em qualquer manifestação de cunho político. Seja no âmbito social, seja no âmbito de prestação de serviço, de investimentos…. Portanto, se o senhor puder me dizer como vem se comportando estes números em seu município, Mato Queimado?

Orcelei Dalla Barba – Quando por ocasião do processo de emancipação do município, há cerca de 21 a 22 anos, tivemos que fazer todo um recenseamento sobre todas as propriedades e uma descrição o mais detalhada o possível da vida econômica de cada família.
Em relação a àquela época, Sartori, hoje perdemos pelo menos 80% dos produtores de leite e, 100% dos produtores de suínos.
A produção de suínos a que me refiro, é àqueles que além da produção para o consumo, ainda vendiam o excedente para fora, para outros municípios.
Ainda temos uns que criam suínos, mas praticamente todos só para o consumo familiar, local.
Isso é um desastre.
Também desde lá, Mato Queimado que é um município com área geográfica pequena, fechamos 3 escolas no interior.
Também perdemos de 20% a 25% de nossa população no geral, apesar dos esforços em todos os sentidos do poder público em buscar segurar às pessoas aqui.
Antes a população que era economicamente produtiva, ou seja, àquela capaz de produzir renda sem o auxílio de outra, passou a ser uma geração ou que precisa ser cuidada ou que só produz com a ajuda de outra pessoa. Como por exemplo, uma pessoa de mais idade ela ainda pode produzir, mas necessita de alguém que o ampare, o auxilie na execução de uma tarefa.
Se antes tínhamos uma população ativa, produtora de riqueza, hoje isso se inverteu e a grande maioria passou a ser uma geração de pessoas que precisa ser cuidada.
Inverteu-se a situação. Tornamo-nos a cada dia um município de velhos.
Da população total de Mato Queimado, não temos mais do que mil com plena capacidade ativa de trabalho.
Ainda temos para ajudar a piorar o quadro, a quantidade de leis e exigências de todo tipo sobre tudo o que é ou possa ser produzido no campo que é de onde vem a nossa principal riqueza.
Nem bem o agricultor se ajusta a uma nova orientação e já tem a certeza que no dia seguinte virá outra a qual se não se adequar, terá que suspender e até abandonar sua atividade.
Isso acontece muito e inclusive levando a um desespero as famílias que muitas vezes foram motivados até pelo próprio governo, por sindicatos, …. ou políticos locais a desenvolver uma determinada atividade. De lá, o produtor investe os poucos recursos que tem, contratam empréstimos em bancos, dedicam esforços que já nem mais dispõem e logo lá adiante obrigam-se a interromper seu negócio pela inviabilidade de dar continuidade àquele projeto pois, nestes casos, a influência de fatores externos, como a legislação excessivamente dinâmica, as exigências exageradas da Saúde sem considerar as peculiaridades e limitações locais, o peso da prfeitura para à população…É desumano o quadro, muito desumano.

L – Em que os governo federal e estadual pioram à vida de nossas comunidades?

Orcelei – As leis não são criadas por pessoas, Sartori, que conhecem a realidade local. Mas por pessoas em escritórios das grandes cidades, por políticos que tem interesse em suas carreiras tão somente ou em resultados eleitorais, não se preocupam com o homem, não se preocupam de fato como deveriam com o ser humano. E a gente não tem nem sabe como reverter este quadro tão agressivo e violento.
A cada tempo, são sindicatos limitando jornadas de trabalho, estipulando condições, espezinhando tudo e procurando buscar nos mínimos detalhes alguma inadequação as leis que ninguém sabe de tantas que já existem e, ou criam a cada instante e ninguém suporta mais, ninguém quer mais trabalhar, ninguém quer mais saber de aprender, acabou….. enfim, o ser humano toma ciência que a evolução parece que cada vez mais o torna escravo.

L – O que o senhor teria a dizer sobre o futuro, como será, sobre a sua comunidade, conseguiria desenhar algumas imagens das nossas comunidades?

Orcelei – Não quero nem pensar; não quero nem pensar…. não vai muito tempo, não vai muito tempo…
É muito difícil fazer uma previsão, apregoar ânimo diante do quadro que vivemos, do quadro que se vê.
Claro, como tu disse, pode que um fator alheio, externo, possa vir a alterar o atual quadro, como é o pleito de uma ponte ligando à região à Argentina ou, a quase utópica vinda de uma grande empresa para a região, mas a experiência nos deixa pouca esperança que isso venha a acontecer. Em pelo menos nos próximos 25 a 30 anos…

L – Caminhamos para uma espécie de aniquilamento ou ‘amarelão’ de nossas cidades, de um limpa-campo de humanos, coisa assim?

Orcelei – Tudo nos leva a crer que sim. Que no futuro, dentro de até 20 a 25 anos, teremos praticamente só idosos, um pouco de crianças e a população cada vez mais reduzida em nossos municípios, na maioria deles.
Principalmente o nosso onde a geografia não nos favorece muito.
Vocês, em São Miguel ainda tem uma situação bastante diferenciada, favorável ao crescimento..
L – Viveremos uma espécie de êxodo, para regiões de economia mais dinâmica, litoral e grandes centros urbanos ou de parques industriais….?
Resp.: Pg 05
Orcelei, Secretário de Administração – Já estamos vivendo.
Se você considerar a quantidade de pessoas aqui das Missões que se deslocaram para as praias, de Santa Catarina e daqui do Estado, são mais de 3 mil. Todas levando recursos que foram gasto lá, excedente que deveria e poderia serem gastos aqui.
No entanto, não temos algo suficiente para reter ou promover o sentido inverso deste fluxo de capital como por exemplo, termos algo aqui que pudesse atrair o povo de lá, àquele que busca um lugar tranquilo para passar férias, que não gosta de agitação. Nossos investimentos no Turismo ainda é primata. Praticamente exploramos e ainda muito mal o que fora feito há mais de dois séculos por outros povos.

L – Porque nossas associações de lideranças locais, no transcorrer de suas histórias, tem apresentado resultados tão pífio às suas próprias comunidades?

Orcelei – Não temos força política, Sartori. Por isso não temos logrado êxito. Nossas associações, como AMM, DETUR e outras, tem sim se esforçado e muito, até melhorado em suas reivindicações. Prova disso é o movimento que vem sendo feito no sentido de se conseguir produzir fatos concretos nas diversas formas de capitalização das rotas com países vizinhos. Mas o que temos?…
Conversa, conversa e só conversa. Até que algo aconteça de fato, que seja construído que seja uma primeira parte, não temos é nada.

L –Nunca tinha ouvido falar que temos “pouca” força política. Isso me surpreende. Não só pelo fato saber disso, mas pelo fato de haver sido gasto tanto tempo e recursos atrás de uma produção que agora se sabe que as chances são e eram bem pequenas. Também acho que em todos estes anos, uma outra estratégia deveria ter sido buscada, não?
Orcelei D. Barba – Concordo contigo. Mas você tem que considerar que o poder de comandar as associações, não raras vezes, passam pela influência de municípios mais apoderados. E são eles que tem o poder de influência maior. Dependemos deles para tudo e, se estes não conseguirem impor as demandas de suas áreas de influências, afundamos todos juntos.
Mas sei que esta explicação não basta.
A verdade é que temos um só deputado, o Loureiro, que luta de todas as formas mas não tem sido o suficiente. E, outros deputados quando vem para a região, é para fazer inserções rápidas, depois vão-se para suas áreas onde tem seu maior peso de votos. Isso não devia ser assim.

L –Mas já tivemos tempo em que a região teve pelo menos dois deputados?
Orcelei – Oriundos de que município mesmo?..
È o que te falei antes…
Hoje, estamos capenga.

Liberdade – Hoje, o que é grave para as nossas comunidades, não só aqui, mas na grande maioria dos pequenos municípios do país?
Orcelei – Ex prefeito de Mato Queimado: Nesta análise e visão a que nos referimos, acho que uma das piores é termos um gestor seja na atividade privada ou na atividade pública, incapaz de ler estes sinais de mudanças a que te referistes tão bem.
Se ele não conseguir isso, por algum motivo, ele terá enormes dificuldades de fazer algo produtivo para sua comunidade, de fazer a diferença.
Isso não quer dizer que ele não possa ser um bom prefeito, nada a ver, mas hoje já adentramos para um processo de profundas transformações principalmente nas periferias do país. Cito por exemplo, como tu tem alertado no Liberdade, os efeitos da Rede Mundial de Computadores, a internet na vida das pessoas; as mudanças que já promovem para a atividade produtiva; a mobilidade das pessoas em busca de novas oportunidades de trabalho, acesso à regiões com tecnologias mais avançadas e locais de entretenimento e de cultura; ………..
Todos começamos a notar que a venda à balcão, àquela em que a mercadoria estará posta no antigo sistema presencial, de balcão, irá acabar ou, pelo menos reduzir drasticamente. E não temos como nos opor a isso. A forma de fazermos o comércio irá mudar; já está mudando.
Daí que será fundamental uma nova forma de tributação, inclusive para sustentação destas comunidades, como as nossas onde, passaremos a ser quase que completamente dependentes do que virá desta forma, de fora.
Isso não quer dizer que não se continuará a produzir em nossos municípios, pelo contrário. Mas o sistema de produção, como o agronegócio, a pecuária de confinamento e o avanço de tecnologias e da produtividade, irá promover – salvo se isso vier a inverter -, num limpa espaço, de pessoas, extraordinário.

LOJ – Uma reforma agrária, estipulação de limites de área para propriedade rural por exemplo. Respeitando as características e interesse de cada município. Seria uma saída para se inverter esta tendência?
Orcelei – Sim, mas duvido que se tenha força e desejo em se contrariar os grandes interesses que exploram o país…mudar o sistema.
Tem a outra questão, também importante e que tu levantestes, a perda de vínculo das famílias com o seu passado:
Hoje àquela pessoa que passou sua vida, constituiu família e criou seus filhos em determinado local, forçado a ter que ir-se para a cidade, se logo depois retornar para relembrar do lugar onde nasceu, não verá além do trilho provável da estrada e nada mais. Tudo estará mudado, os vestígios não existirão mais, nem àquilo que um dia ele conheceu.
Perde-se as referências, cai-se fácil daí nas propostas salvacionistas e aloca-se para além morte qualquer esperança e, a depressão aumenta….
O homem torna-se objeto, algo manipulável. A vida, os desejos e anseios humanos passam a um terceiro, último plano.

L – Como Mato Queimado prepara-se para esta nova realidade?
Orcelei – Não se prepara, ainda não. Estamos em choque. Mas ainda assim acho que estamos adiante de muitos, uma vez que se tal leitura ainda não é feita, imaginem a situação… onde está sendo atirado o povo.
Aqui ainda temos um dos PIBs mais altos do país e enfrentamos esta situação..

L – Nosso sistema político, nossas escolas e universidades não despertaram ainda para esta situação…. nada ou quase nada se vê a respeito, onde iremos parar?
Orcelei – Creio que nem iremos parar. Iremos perder e, a medida que continuaremos atípico ou incapaz de fazer estas leituras e começar a agir, acontecerá o que vem acontecendo: perderemos nossos jovens, nossa capacidade ativa de trabalho; nossa criatividade inovadora, nossa capacidade de atrair investimentos, nossas melhores oportunidades ou continuará a serem inexploradas ou, morrendo.
Do jeito que temos conduzido nossa política, da forma e qualificação da grande maioria de nosso quadro político, do mais alto cargo ao mais simples no país como um todo, nada nos sugere além do fortalecimento de nossa situação de dependência e de mais miséria em relação a outros países mais desenvolvidos ou que venham conseguindo caminhar em direção a este processo.
Mais do que nunca devemos ter a responsabilidade de admitir que a competência, a qualificação, a qualidade da educação, o atendimento de qualidade na Saúde, a falta de incentivo à Escola de qualidade e a meritocracia……. Precisam voltar a ter importância. Isso é urgente.
Passou e vai tarde todo o romantismo do “não sabe escrever o nome, mas pode ser deputado”; não sabe nada, mas pode ser um presidente de uma multinacional.
Até pode ser, desde que não tenha uma alma que dependa da decisão dela pois, mesmo que venha a ser competente – e isso é sempre possível -, as chances de que possa a não desempenhar bem sua função é cada vez menor sem o estudo. E isso precisa ser considerado e valorizado pela população.
Acho, Sartori, que na função pública, um mandato, no máximo dois e depois a pessoa deve sim dar lugar a outro. Dar-se por conta que se tinha que fazer alguma coisa, teve a oportunidade e se não fez, não fará ou, dificilmente fará.
Infelizmente, ainda prevalece em alguns lugares o poder econômico, o interesse pessoal ou de grupos sobre o interesse ou o que é de fato bom e necessário para a coletividade. Muitas figuras ainda conseguem impor ou se impor por cima do próprio povo, subjugando-o até a exaustão, visando tão somente os interesses particulares, ideológicos ou partidários tão somente. Isso deve ainda ser considerado crime.

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                    Contam que na mais alta torre da velha catedral jesuítica, antes de a boi-ta-ta ocupar a vaga, deixando meio louco àqueles que por lá escondiam-se nos tempos da guerra, havia um galo, de ouro, a ocupar-se de dar à direção do vento para as milhares de almas que à sua frente, ocupavam-se das formas mais variadas, sob orientação dos pálidos jesuítas de além mar.
Mistura de guarani com onça, o povo nativo de então divertia-se entre fazer uma e outro instrumento musical e outros, lançando lanças fora do povo, em direção – por vezes – à barriga de alguém mais gordo.

                Após, aconchegados em um canto qualquer, da relva macia ou nem tanto ou, mesmo sobre as árvores, apreciavam cada qual uma das partes, restando ali até que o último naco desaparecesse.

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Oitavado no balcão, pedi ao Pedro, o bolicheiro, que me servisse um trago de canha.
Sem relutar, enquanto folhava um livro grosso feito escritura sagrada, de anotações, me serviu foi um copo de guaraná, morna.
Lembrei, então: “caramba, que coisa triste, é ver um bolicheiro quebrado!
Quebrado à ponto de ter transformado o Bar do Tatú em uma igreja, juro.
Deve ser coisa dos fiscais da lei, aí de perto.
No canto, uma velha mesa de snook, com as bolas já arranhadas e pela janela, um limoeiro distanciava às frutas que, certamente, eram minguadas na mistura de alguém mais importante.

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Em um assentamento missioneiro, em São Miguel das Missões, agricultores praticam exercícios medievais, como agarrar um suíno em banha; comer melancia até não poder mais e, ou subir em um pau cravado no chão, banhado em gordura até o topo onde deverá pegar um pano na parte alta.

De prêmio, poderá então ter aceito seu pedido de casamento pelo sogro exigente aí ao lado.
Caso não logre êxito, poderá cair em desgraça, perdendo a “mão” da pretendente e ainda, por cima, ter que pagar o equivalente a 100 litros de leite, ao candidato à sogro por este ter que sustentar a filha até que arranje outro.

Testosterona à flor, os jovens se lançam, agarrados ao pau na ânsia de acabarem com as noites solitárias nos grotões do país.
Na base, curiosos, familiares ansiosos para a esperada festa, politicos satisfeitos em verem o povo se satisfazendo, marcam os domingos nas Missões ainda jesuítas.

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Com boca de ‘comer salame de lado’, o cantor missioneiro canta a sua terra.

No Coração das Missões, terra da 10ª FACIC em 2018, a homenagem do cantor, Tazinho aí, cantando para os amantes da arte do Rodeio, prática muito cultuada nas Missões.

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A página do Liberdade – O Jornal, você acessa no facebook, digite lá, Liberdade – O Jornal e seja abençoada(o).

Veja, como vive nosso povo nos bairros de nossa pequena cidade, quais são suas esperanças, seus dilemas, seus desesperos e a falta de esperança que se solidifica com o passar dos anos… intermináveis anos e das promessas que nunca se concretizam.

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Conversamos com o funcionário público e topógrafo, Daniel Mascharin, sobre projeto de sua autoria, que contempla vários elementos no local onde seria construído o Parque Industrial de São Miguel das Missões

 Em uma área aproximadamente de 4 hectares, dentro de uma maior de cerca de 38 hectares, de poder do poder público municipal de São Miguel das Missões, Daniel projetou espaço que contempla um Parque de Rodeio; Pista de Velocross; Play Ground para a criançada se divertir; Anfiteatro natural; Parque de Exposição e um lago de aproximadamente 2 hectares onde será construído restaurante; local para camping e várias outras possibilidades de atrativos na área localizada a esquerda de quem sai de São Miguel, ao lado da RS 546, em direção ao trevo que dá acesso ao município no município de São Luiz Gonzaga.

Ficamos maravilhados com o projeto desenhado pelo Daniel, da exequibilidade e da viabilidade tangível de se executar o mesmo.

Projeto bem elaborado, satisfatório para as demandas locais e, que, inteligente como é acrescentar algumas imagens relacionadas nele com nosso legado histórico jesuítico-guarani, deve ficar maravilhoso.

Sobre os recursos para a execução do mesmo, Mascharin nos convenceu que com grande parte possível de ser realizado pelo próprio poder público, não seria difícil encontrar interessados em ajudar na construção deste investimento. Ainda mais em um Parque de Rodeios.

Feito isso, o Jornal Liberdade questionou o criador do projeto sobre alguns temas pertinentes ao mesmo:

L – Daniel, se de acordo com a inteligência do projeto aí mostrado; da exequibilidade de sua execução, resta algumas perguntas que gostaríamos de realizar…

Estamos contidos em uma região que começa e passará por profundas transformações: a forma de fazer comércio; mudança de atividade laboral; envelhecimento da população remanescente em nossos municípios; população de Turistas que nos visitam ter características setorizadas como as voltadas ao Turismo Cultural/ Turismo de curiosidade e por aí a fora, o que tudo junto se desenvolve em um contexto que vem motivando a redução da população e o desinteresse em acontecer investimentos mais vultuosos.

Se assim, como vês a possibilidade de encontrarmos motivo para manter e até alavancar um projeto desta envergadura, que não o Parque de Rodeios, mas o Parque Aquático que demanda um elevado grau de custos para sua manutenção e dessa magnitude, como os demais?

Daniel Mascharin – Devo admitir, Sartori, que se não houver o envolvimento da própria comunidade; se não for desenvolvido outros projetos em paralelo, na mesma direção e com os mesmos objetivos, tal projeto ou qualquer outro que se intencione em fazer, passará por dificuldades como dizes, não em ser executado no caso, mas na hidratação do interessa da população local ou que nos visite a ponto de manter tal projeto.

 

L – Diante deste fato, o que te leva a crer que estas premissas que julgas fundamental se crie ou, se desenvolva?

Daniel Mascharin – Bem, como cidadão de São Miguel das Missões, como adoro esta terra, meus filhos amam o lugar onde nasceram e ainda vive, entendo que devo acreditar e investir nela.

Claro não de forma cega, mas considerando que ao contrário do que tem acontecido, do que vem acontecendo, algo precisa ser feito, que precisamos mudar ou caso contrário, acabaremos cada vez mais distanciado de nossos sonhos de vermos nosso município se desenvolver não só para poucos, mas para toda a nossa comunidade.

 

L – Hoje, vimos cidade como Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga, penar pela fraca força política; pelo fraco desenvolvimento de suas matrizes de produção.. vimos pequenas cidades similar à nossa ampliar o leque de pessoas com idade avançada e reduzir àquelas em idade dita ‘mais produtiva’; vimos o comércio presencial desaparecer a cada dia; a questão da mobilidade se transformar com tendência à redução do número de caminhos, como pensar que na grota hoje se justifique algum tipo de investimento do tipo, de valor considerado alto, que venha ser feito aí como melhor opção daquele que poderia ser feito – por exemplo – próximo a uma importante via de trânsito?

Daniel – Verdade, Sartori. É algo para se preocupar.

Diante de tudo isso, vejo ainda quantos projetos que a gente ansiava ver aqui realizado e acabou não acontecendo. Outros tantos anunciados e que também não aconteceram. Também outros que anunciam e que se sabe, também não acontecerá.

Ainda há poucos dias, li no Liberdade de uma importante empresa ter fechado às portas aqui em São Miguel. Foram mais de R$ 3 milhões investidos.

Pois é, agora há pouco, outra, aqui do lado, um ponto de comércio que mais se destacava como um grande ponto de cultura, algo inédito e inovador, também fechou. Tens razão nas coisas que questiona.

 

L – O visível desprestígio das melhores labutas de nossos prefeitos em prol do Turismo não acontecem, se arrastam á décadas e só tem ridicularizado a ação cara (para o povo) de seus esforços tem por si só justificado a ação da pouca defesa do governo deste projeto, temendo ‘dar uma outra furada’?

Daniel Mascharin – Creio que não. Até antes de vir para cá, consultei meus colegas sobre a adequação de meu interesse em tornar público este desejo que não é só meu, mas que traz o como objetivo satisfazer a nossa comunidade que, a bem que se lembre, me paga para que eu faça o meu serviço, mas o governo se mostra receptivo ao projeto, que é de todos nós, tanto que já investe em várias frentes para que aconteça e, quiçá, o mais próximo do aqui por mim desejado.

 

L – Todo o projeto tem vantagem em ter um espaço de tempo para finalizar.  Teria um prazo, uma perspectiva de quanto tempo se demoraria para à população contar com este produto?

Daniel Mascharin – Tem coisas aí que eu possa não chegar à ver (risos!!), mas a intenção é de que aos poucos e com o desenvolvimento esperado de algumas parcerias, muitas já sendo encaminhadas, quem sabe pra nossa surpresa, em breve teremos todo ele realizado.

Claro, Sartori, concordo com teus questionamentos se levarmos em conta a atratividade de tal projeto para além de 20, 25 anos. Por tudo àquilo que você falou, inclusive pela mutação de interesse do público mais jovem no que tem se tornado ou não interessante para eles, mas entendo que alguma coisa precisa ser feita e assim penso que faço a minha parte.