Fatalismo, antropologia, cultura,…?

Fatalismo, antropologia, cultura,…?

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Nota: o texto abaixo pode que não seja exatamente da mesma opinião que o entrevistado e está sujeito a nossa e necessária correção. Portanto, em eventual desacordo ou manifesto interesse do nosso interpelado, procederemos às devidas correções com o maior agrado.

O que o estudiosos, José Roberto Oliveira disse ao Liberdade sobre as tendências laboriosas dos missioneiros ao Sul do Brasil?
Segundo, José Roberto, a cultura de cada povo, o local onde viveu, as atividades exercidas por seus antepassados, tem tudo a ver com o que este indivíduo quer para o seu futuro.
Por exemplo: No caso de descendentes de italianos, vindos de uma determinada parte da Itália, ao Sul desta, a tendência é de que se voltem a atividades ligadas à agricultura, a atividades da pequena propriedade, utilização de técnicas na atividade mais restritas ao atendimento da demanda da própria família.
Os oriundos do Norte daquele país, já se voltariam mais à produção industrial.
Também, de outros países, seria a mesma coisa. Seguimos nossa tradição, nossa cultura.
Assim, o indígena por exemplo, habituado a viver livre, em contato com a natureza, tende a viver desta forma, buscando a mata, os rios, os passarinhos….
José explica que o processo de mudança é algo muito lento, mas pode ocorrer.
Desde que haja um aculturamento do povo, o que tem sido muito difícil de se aplicar em nosso país porque isso acontece via matriz educação.
No nosso caso, caibateenses, matoqueimadenses, miguelinos, etc… a nossa perspectiva de ampliação de produção, segundo o professor citado, passa por atividades como “moagem de grãos; ração animal; plantio de culturas relacionados à exploração da terra; criação de vacas; fazer embutidos, extrativismo enfim e por aí adiante.
Segundo ele pouco adiantaria, por exemplo, querer que um missioneiro vá se dedicar à desenvolver uma indústria de manufatura; de comércio que não o escambo ou pouco além disso.
Por isso – justifica – do espetacular número de falência de empresas que tentam evoluir no município. Não há tradição, não há cultura e, portanto, não haverá facilmente evolução neste sentido, explica.  Não se tem conhecimento a respeito desta atividade e os que poderiam influenciar para o sucesso das mesmas, não são chegados à atividade para eles também estranha, não se criaram nela, não entendem dela e, portanto, a tratam como “corpo estranho”.
Evolução industrial para nós, daqui da grota, teria que ser do tipo de produção de rapaduras, conservas, trabalhos com o couro, exploração da atividade natural, agrícola, pecuária, por ai.
Ao questionarmos do porque o LOJ ainda se sustenta, após 15 anos, Oliveira disse que aqui, perto, nasceu a primeira mídia escrita do Estado e, portanto, teria ficado uma espécie de “pozinho” onde este daria força ao Liberdade de se manter. Mas que o contexto não é, como se sabe, amigável, pelo fato de se desenvolver em um ambiente bastante hostil, se lembrado que esta terra é dominada por antigos donos de sesmarias; dos coronéis que levavam irmãos se meter contra irmãos e se matarem uns aos outros até os extremos da selvageria. Lembra o tempo da degola….

Perguntamos se um fator estranho neste “ninho”, uma mega indústria por exemplo, não poderia começar a mudar os destinos das tribos nas quais estamos todos inseridos?

Professor Roberto disse que é pouco provável que isso aconteça, embora, não seja impossível. Mas que não seria aconselhável tentar tão caro investimento. A reação ou, na melhor das hipóteses, a inércia teria um efeito esmagador, para que se não desse certo ao menos, não viesse a colocar em risco os privilégios dos que dominam o povo, dos que se impõem sem qualquer escrúpulo sobre nossa gente, ensina.
Isso sem desconsiderar outros fatores como logística, econômicos que não nos privilegiam.
Tentar sim, diz o professor, mas lograr êxito em tais empreendimentos seria algo quase inimaginável neste contexto de violências para tudo quanto se insinuar como novo.
*A Eletrônica Acker e a Imobiliária Querência, prestigiam este trabalho!

O LOJ questionou se não via com tristeza tal perspectiva tão determinista, fatalista?
José Roberto disse que em qualquer ambiente, em qualquer contexto o homem pode ser feliz.
Basta ele não saber de outros, mesmo que ao lado.
E, para isso, segundo ele, “tudo vem sendo feito para que o povo daqui continue da mesma forma, submisso, grato, cativo, explorado e conformado”. Assim também se pode ser feliz.
-Veja bem, se você pergunta para um vivente, se ele está satisfeito com sua atividade, mesmo que ele esteja com a corda no pescoço, ele vai te dizer que está feliz, que está contente e, se admitir a realidade para ti, é porque confia que os seus algozes não ficarão sabendo de sua confissão.
Então, este vivente é e deve ser enquadrado como “feliz”.
“Porque você acha que praticamente tudo o que se desenvolve aqui é algo oposto à inclusão do povo?”, questiona, Roberto?
Ainda: “Porque o que o povo quer, o que o povo pensa, não interessa às elites dominantes locais, mas sim mantê-los disponíveis a seu único propósito de continuar a explorá-los por todo o sempre”, ensina o historiador, professor, escritor, José Roberto Oliveira.

“Aqui, pensar, discordar, ousar o que não é previamente determinado por eles, é proibido”. Ou, de alguma forma proibitiva, você sabe disso. “Exemplo disso é o que acontece com você, com tua empresa”. Veja, “eles alocam todo quanto é esforço para atribuir aos execrados à culpa pelo que acontece com eles e, posam ainda de santarrões, de salvadores da sociedade, é uma questão triste mas cultural e não se sabe quando um dia poderá e o que fará isso mudar”.
Essa gente mata o povo na miséria e, no domingo paga um punhados de velas e doa donativos, escapulários  para “ajudar a salvar suas vítimas” já condenada.
Você sabe eles retiraram toda a possibilidade de o povo fazer por si só o que tem vontade – é um vampirismo sem fim – e, ainda contam com as fragilidades da Justiça que, se invocada, acabam em não raros casos, se voltando na defesa dos mais apoderados.
Como se não bastasse, explica, Roberto, os próprios explorados, justificadamente, passaram a ser os maiores defensores de seus próprios algozes pois, se não fazem isso, morrem de fome ou aniquilados por ação, direta ou indireta daqueles. Mais, acreditando que serão eles, por suas bondades, seus benefícios distribuídos à população, é que irão direto para o céu.

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