Liberdade Entrevista:

Liberdade Entrevista:

0 633

Através de Luiza Caroline Taube o Liberdade entrevistou Ereli e Jose Vilmar Taube, moradores de Porto Xavier, município atingido recentemente pela fúria da natureza. O casal, que desde sempre morou no município, falou ao jornal um pouco do histórico das enchentes no município, das dificuldades e estragos que esta causa aos moradores atingidos, bem como as benesses do rio Uruguai aos moradores ribeirinhos e aos municípios que existem as suas margens.
Luiza – Pergunto a vocês que, por residir neste município a muitos anos, conhecem os históricos de cheias e enchentes, o Rio Uruguai costuma apresentar este tipo de fenômeno que temos presenciado nos últimos dias?
Ereli – A última enchente desta magnitude que consigo rememorar data de 1983 onde atingiu cerca de 17 metros acima do nível normal, e deixou algumas comunidades isoladas por ter impedido o tráfego por alguns acessos.
Jose Vilmar – Normalmente as cheias atingem até 10 metros, sendo de certa forma considerado normal, pois não impedem a maioria dos acessos e atingem poucas residências, normalmente as ribeirinhas e acampamentos, dificultando a pesca e a travessia pela barca e chalanas.

Luiza- Após essas cheias os atingidos costumam voltar a suas residências?
Ereli – Após as cheias de 1983, a população ribeirinha foi orientada a não retornar, foram criadas novas vilas para os atingidos. No entanto, como a muitos anos não se via cheias desta complexidade as pessoas aos poucos foram fixando moradias em áreas mais baixas, áreas estas estão anexadas a cidade inclusive, a exemplo das vilas próximo ao porto.
José Vilmar – A prefeitura na época, pelo que recordo, havia disponibilizado outras áreas para as pessoas atingidas. Pessoas que outrora residiam na ilha após o fenômeno de 1983 em sua maioria não retornaram, no entanto por ser uma grande área de terra fértil foi utilizada para a plantação e ocasionalmente criação de gado.

Luiza- Quais as expectativas dos atingidos que voltam aos seus lares?
Ereli – O desanimo reside no fato de haver um temor justificável dos atingidos de que, com as temporadas de chuvas, estas cheias voltam a se repetir e os estes desalojados voltam a ser atingidos e percam novamente seus pertences.
José Vilmar – Perder suas suadas conquistas em uma enchente já e ruim, o temor de que isso se repita de forma cíclica é desanimador.

Luiza- Observando os resultados deste fenômeno não se consegue observar nenhum ponto positivo nestas cheias.
José Vilmar – Outrora aproveitavam se as cheias para o transporte de madeira, onde eram empilhadas, amarradas e transportadas rio abaixo até locais mais longínquos. As cheias enquanto uns temem outros aproveitam.

Luiza- Porto Xavier foi atingido por duas enchentes consecutivas em curto período de tempo, sendo a segunda de menor potencial. Segundo dados meteorológicos a expectativas de novas enchentes. Como as pessoas veem o fato de isto se repetir?
Ereli – Devido a construção de barragens muitos acreditavam que grandes enchentes não mais aconteceriam. Após se constatar de que isso continuará ocorrendo muitos estão desanimados para retornar pois as incertezas e inseguranças são grandes. Os que retornam se devem ao fato de não haver outra alternativa pois é muito dificultoso ou até impossível vender suas terras e casas uma vez que é sabido que estes locais poderão ser novamente atingidos.
José Vilmar – Temos muitos conhecidos que devido ao fato de o rio ter crescido muito rapidamente não tiveram tempo de recolher seus pertences, perdendo-os. Alguns inclusive tiveram suas casas arrastadas pelas corredeiras.

Luiza- Assim sendo a alternativa que resta é esperar que as aguas do rio Uruguai sejam gentis com os ribeirinhos e que aja conscientização para que não se construa instalações nestas áreas vulneráveis. Agradecemos seu tempo e hospitalidade.

ARTIGOS SIMILARES

0 192

SEM COMENTÁRIOS

Deixar uma resposta