Nem bem chegou a tardinha e o céu parece que resolvera, outra vez, lavar a alma daqueles que – contam – ainda pairam sobre a velha catedral jesuítica, capital natural dos 7 Povos; povos missioneiros ao sul do Brasil.
Não vai longe quando ouvia o velho e agora saudoso, João Paiva me repetir: “Sartori, por sobre este campo, aí sobre as velhas ruínas pairam centenas, milhares daqueles que foram assassinados ou mortos depois pela fome, pelas feras pelas doenças”.
Para quem conhece São Miguel das Missões, pode até que passe como natural; para quem não conhece ainda, temos a certeza que quando ousar nos visitar, “sentirá coisas”. Sim, uma espécie de arrepio que corre de onde começa a nascer cabelo até o calcanhar – os dois.

Ainda lembro daquele dia, pela segunda vez que àqueles santos me contrataram a mim e a minha filha para fazermos a cobertura de um evento que – segundo suas intenções -, de aí orar e cantar, aconteceria na parte interna do Sitio. Espaço amplo por demais…

E, pela segunda vez, tiveram seu pedido negado. “Que fossem realizar seu evento do outro lado do cercado!”, imaginamos que devem ter ouvido.

E, assim foi. Debaixo de um vendaval, lá estavam eles orando, pedindo para que só a bondade no mundo tivesse espaço, só ela fosse vista.

Mesmo que lá dentro, digo eu que vos escrevo, próximo a tantas imagens cuidadosa e milagrosamente esculpida pelos guaranis e jesuítas, o flash da máquina, um que outro risco poderia motivar o indesejável. E, 
creiam, aconteceu.

No segundo dia, passa por São Miguel o segundo tornado que se tem registro na história.

O que ‘ascuscedeu’ é coisa para outra ocasião eu vos contar. Mas contam que alminha alguma daquelas se moveu aí de lugar. Pelo contrário, estão tão presas à terra que ainda esperam por liberdade; por libertação e que traga junto o tão sonhado respeito, àquilo que considera que todos são iguais e capazes, coisa bastante difícil ainda de se acreditar.

 

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