O Liberdade – O Jornal conversou com um dos filhos de Cenair...

O Liberdade – O Jornal conversou com um dos filhos de Cenair Maicá ( em memória), Patrício Maicá, por ocasião de sua presença e a de seu tio, Vitão Maicá, no Galpão Crioulo, do CTN Sinos de São Miguel, quando responderam a um convite do Piquete Tauras do Rio Grande, lá da boa terra de Cruz Alta

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Ambos vieram para cantar, em homenagem ao Cenair que graças aos esforço de José Roberto e amigos, esta sendo homenageado com uma bonita estátua em terras de São Miguel.
Mas vimos mais, além de ouvir atentamente…

Liberdade – Patrício esta terra que representa liberdade, que representa tantas lutas e o teu pai fez parte da representatividade desta história ele e os outros troncos missioneiros, Pedro Ortaça, Jayme Caetano Braun, Noel Guarany e Cenair Maicá, e você ai Patrício, com uma característica muito singular, excelente cantor, gostaria de te perguntar o que representou a passagem do teu pai, Cenair, neste legado que deixou para as Missões e que deve te trazer muitas lembranças, aqui nesta terra de São Miguel.
Patrício: Primeiramente uma satisfação ter esta oportunidade no Jornal Liberdade e dizer que em São Miguel das Missões quando você dobra ai e lê aquela frase “esta terra tem dono” em guarani, aquilo me arrepia porque a gente vai vendo a história que a 300 e poucos anos, a forma que aconteceu, o Sepe defendendo São Miguel, ele e seus mais de 4mil guerreiros…Me arrepia de pensar que eles lutaram e aqui hoje podemos dizer que é uma terra de liberdade, é uma terra que quem é de São Miguel das Missões…eu tenho satisfação de dizer que eu sou daqui, que eu nasci aqui e meu pai sempre com muito carinho, cantou esta história dos índios, e hoje ver isso sendo reconhecido como Patrimônio… Tenho muito orgulho de ver gente de todo o mundo vir aqui nas Ruínas assistir o Som e Luz, então pra gente não tem explicação, não tem como expressar a grandeza que é, esta história pra nós. E a gente tem muito orgulho de representar esta terra, todos os miguelinos, todos missioneiros dos sete povos…Eu acho que São Miguel é a capital dos Sete Povos, é aqui que aconteceu tudo, os outros povos tem esta história também, os 30 povos, mas foi em São Miguel que Sepé disse “Esta terra tem dono” que é a liberdade, e é o que nos representa a liberdade de saber o que é ser liberto, esta cidade que contem suas regras, e que nos ensina a ser pessoas honestas e responsáveis, é disto que o país precisa. Ainda aqui em São Miguel das Missões esse grito de liberdade, para um povo, para uma nação e para o mundo.

Liberdade – Você tem alguém na família que se expressa desta forma, gesticulando, se expressando de forma tão viva. Você é uma figura realmente diferenciada nesta forma de se comunicar, com os braços abertos, como que abraçando, tem manos que também se expressam desta forma em tua família. Além de os Maicás serem conhecidos todos por serem excelentes cantores, você tem esta característica abrindo os braços, como que abraçando o pampa, a todos, isso também remete muito a Cenair Maicá, a esta terra, à liberdade…?
Patrício – Sim, os irmãos também todos, o Miguel, os tios, o tio Tato, o tio Vitão, o tio Valdomiro, os primos, toda a família é que a gente se criou assim com este amor em ser livre, na roda de viola já de casa e a gente aprende, né.
Quando a gente é muito orgulhoso e fazer parte da família Maicá, porque nos ensinaram à música, a cultura, é uma forma de a gente remeter o Rio Grande, para as crianças que vem aí. Eu acho que é muito bonito, a nossa cultura de cantar, ainda mais música missioneira, pra nós é muito orgulho, muita inspiração.

LOJ – Você tem irmãos, quais são:
Patricío – Somos em cinco irmãos: Cotiguara que é o mais velho; Patrício, que sou eu: Miguel Caraí; Gabriel, que é falecido, vítima de leucemia e tem a Catira. Então somos em cinco irmãos.

Liberdade – Vocês que seguem o caminho do pai, Cenair, como cantores, artistas, você e mais alguns deles o fazem com competência na arte do canto?
Patrício – É uma satisfação que todos nós cantamos. Só que alguns são empresários em Santo Ângelo. A minha irmã, Catira mora nos Estados Unidos; o Potiguara mora em Palmas, no Tocantins. Eu sou militar aqui em Santo Ângelo e também lido com a música, quando me convidam para cantar, como hoje aqui, com o Piquete Tauras do Rio Grande, este povo que veio lá de Cruz Alta, passando pelo Caaró, depois aqui por São Miguel. Nos convidaram para fazer uma homenagem ao Pai, a mim e ao tio por causa deste monumento que São Miguel das Missões acolheu de fazer para o Pai.
A família Maicá está muito feliz porque pras futuras gerações, saber quem foi Cenair Maicá. Foi o que cantou a história das pessoas, cantou também com Noel, com Jaime, cantou os índios, cantou a nossa história.
Nosso turismo de hoje está há 30 anos pra frente. O Pai dizia que São Miguel, daqui há 30 anos, vai ser um dos maiores turismos do Sul. E hoje já é isso.
E querem já fazer esta ponte, aí, a gente está muito feliz, a coisa vai acontecendo, vai dar tudo certo e São Miguel está vindo gente de todo o mundo pra ver que história é essa. Então a gente fica muito orgulhoso, de ser miguelino.

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